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quarta-feira, 12 de abril de 2017
sábado, 31 de dezembro de 2016
7.
Dimensionar
a vida por aquela estrela,
trilhando
o céu primevo que nos antecede.
Discreta
irredutível e desconhecê-la
não
diminui seu reino altivo que nos mede.
O
seu perfil sem mácula acompanha
as
desistências, fugas e pilhagens,
ao
descrever seu arco nas montanhas
e cintilar
no instante das ramagens.
A
luz ensanguentada que nos cobre,
escudo
e gume da inocência, essa,
que
bale entre ruínas e o seu dobre
dolorido
assevera na noite a promessa,
que
brilha, lá no céu do tempo, e transverbera
no
coração que leva essa ferida oculta.
Dimensionar
a vida por aquela estrela e
no
seu facho de luz lavar a alma insepulta.
A dimensão necessária, Mondrongo, 2014.
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
A Romaria de Bom Jesus da Lapa, interior da Bahia, minha cidade natal, acontece há exatamente 365 anos. O poema abaixo faz parte do livro inédito Auto da Romaria:
6 DE AGOSTO
Para Person
Ramos de Araújo
Não
repare no caudal
que
transborda de outras épocas,
nas
multidões que deslizam,
misturando
tantas cepas,
que
acompanham o andor
em
romaria sem pressa.
Não
ouça o coro de vozes:
rogo,
súplicas, lamentos,
murmúrio
só confessado
nesses
corações adentro
–
luxúria, orgulho, inveja,
pecados
envelhecendo.
Não
repare os pés descalços,
penitências,
sacrifícios,
o
corpo vencido em lágrimas,
o
sofrimento castiço,
a
devoção sem palavras,
não
repare em nada disso.
Mas
guarde um quadro completo
do
caudal sem calendário,
apesar
do mês de agosto
ter
o seu dia esperado.
Quem
espera sempre alcança,
verá
que não mente o adágio.
Mais
do que os olhos levante
seu
espírito bem alto,
acima
desses rumores,
de
tudo que for boato,
do
que é matéria palpável,
mas
está além do tato.
Movido
por esse olhar,
acima
do andor repare,
enquanto
o caudal se escoa
pelas
ruas da cidade
–
se o tempo fica suspenso,
o
espaço também se abre:
agora,
tudo é silêncio,
conexão
de contrários,
parte
do céu se derrama,
da
terra sobe uma parte,
pela
coluna que ata
nesse
momento os cenários.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
sexta-feira, 20 de maio de 2016
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Mujer música
Yo
pretendí prenderla en sólo un gesto
que
fuese inmaterial, también tangible.
Lo
intenté con un libro —el sueño abierto
y
tenso, atento al sol de lo invisible.
Busqué cosas menores, más modesto:
una
mañana urbana y luz posible.
Todo
fue inútil: mi deseo abierto
y
oscuro y siendo, en cambio, ella tangible,
el cuerpo albo, desnudo, aquí, en la tarde...
Ahora
me concentro en no fijarla
en
pauta o pensamiento para darle
el ritmo necesario del que calla.
La
música la envuelve sin alarde
mientras
ella camina por la sala.
Joâo Filho. En A Dimensão Necessária, Ed. Mondrongo, Ilhéus-Bahia, 2014. Versión de Enrique García-Máiquez http://egmaiquez.blogspot.com.br/
3 — Uma mulher toda música
Eu pretendi
colhê-la num só gesto,
que fosse
imaterial, também tangível,
tentei a forma
livro, o sonho aberto,
estive atento ao
peso do invisível.
Busquei coisas
menores, mais modesto,
— uma manhã
urbana, a luz possível.
Tudo inútil,
desejo o cerne e aperto
o escuro, mesmo
sendo tão legível
o corpo branco,
nu, dentro da tarde.
Agora me
concentro em não fixá-la
em pauta ou
pensamento para dar-lhe
o ritmo
necessário de quem cala,
a música a
envolvê-la sem alarde
enquanto ela
caminha pela sala.
2007
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
A PALAVRA BRASIL
A palavra Brasil
é a mais difícil,
não há jeito de
usá-la sem perder-se,
sua vivência
sempre aquém da fala,
sua pronúncia
verde nos corrompe.
Já sei como
impedir o falso azul,
enraizado no som
do seu vernáculo.
Como não
suspeitar do movediço
de um nome que
nomeia o seu desgaste?
A palavra Brasil
nos deixa nus –
história e
continente de um vocábulo,
e para
convocarmos o que amamos
no seu étimo
falta a outra parte.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
sábado, 29 de março de 2014
Novo poema n'O camponês, com a generosidade de Sergio de Souza. Aqui: http://www.ocampones.com/?p=11094
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